Dependendo da lua, do calendário e do humor,
Pietra brincava de voltar a ser criança.
Fechava os olhos para não ver as linhas da vida, da mão, em volta de seu pescoço esguio.
Rezava fervorosamente por aqueles que ainda não foram e que desejava ter para sempre, mesmo contra a vontade.
E se transformava em fera quando fingia amar de verdade outro passageiro.

Com as mãos ensanguentadas depois de dar tantos murros
em pontas de facas cegas, mas afiadas,
Iris decidiu sair de casa e fugir de si mesma para tentar se encontrar.

Sabia que estava perdida entre o barulho,
os vestidos e os bichos de pelúcia.
Não levou roupas, apenas o corpo e o gato.
Afinal, tudo o que havia deixado para trás não era nada.

Agora, despida dos outros, Iris pode se olhar,
se reconectar com o sexo ainda jovem,
e sorriu sem nenhum motivo evidente diante de si mesma.

O que era aquilo?
Não sabia mais ouvir o som de uma risada sem encontrar um palavrão.

Era a felicidade. Era, enfim, depois de muito tempo, Iris.