Diferente do que seus antigos segredos de criança lhe diziam em um dos muitos diários cor de rosa que lia antes de rasgar e jogar fora, Penélope era agora uma mulher de cabelos tingidos, tatuagens no corpo, paixões fracassadas, amores frustrados e copos rapidamente vazios.
Penélope possuía a estranha mania de se olhar por horas no espelho e admirava o próprio sorriso, como se fosse de outro.

Fomos até a borda do infinito e voltamos.
Voltamos depois de diversos pedidos de desculpas
e promessas de ventos de mudanças que, na teoria, agitariam as velas.

Fomos p’ra depois e não pudemos retornar.
Ali ficamos, ali ajeitamos laços e nós prontos a se desfazerem.

Ali voltamos a ser apenas nós.
Mas, de qualquer jeito, voltamos.