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Heloísa adorava sonhar. Tanto que, quando acordava, desejava voar pra longe até chegar perto de quem fazia seu coração desbocado gritar “EU TE AMO!” no silêncio de um sorriso.
Certa vez, ávida para que a noite tropeçasse em uma estrela e caísse rapidamente, pois assim era mais fácil de o sono chegar, Heloísa teve insônia.
Aquilo a devastou. Por mais que mandasse convites e bocejos, o sono não vinha e nem os sonhos. E já exausta e com olhos de fogo, Heloísa viu o céu começar a ganhar cor lentamente, nuvem a nuvem, e saiu em disparada para o quintal. Lá, colocou sua capa, imaginou asas e foi levada junto do escuridão que a luz da manhã afasta.
Dormiu em paz. Nós também.

À noite cai e se estilhaça pelo céu.
Pequenas partes são mais brilhantes
Outras parecem girar em torno de nada.

Eu espero amanhecer para ver os estragos no céu,
Mas, para minha surpresa, ele amanhece azul
E já sem nenhum traço de noite.

Meu coração cai e se despedaça pelo chão
Pés apressados espalham fragmentos de sentimentos
Enquanto esta chuva tropicalmente quente me faz odiar.